"Eu esperava que ela demonstrasse grande aflição e angústia; mas para a minha surpresa nem chorou nem ruboresceu. Composta, embora com uma expressão grave, ela permaneceu como alvo central da atenção de todos os olhos. "Como ela aguenta isso com tanta calma - com tanta firmeza?" - perguntei a mim mesma. "Se estivesse em seu lugar, tenho a impressão de que desejaria que o chão abrisse e me engolisse. Ela tem uma expressão de quem pensa em alguma coisa muito além de seu castigo - além de sua situação: algo que não está ao seu redor nem à sua frente. Já ouvi falar em desvaneios - estaria ela desvaneando agora? Os olhos estão fixos no chão, mas tenho certeza de que não os enxergam - sua visão parece estar voltada para dentro, apontando para o coração: acredito que esteja olhando para algo que pode recordar, e não para algo realmente presente. Gostaria de saber que tipo de garota é - boa ou malvada."
2 comentários:
Por algum motivo isso me lembrou uma narrativa religiosa. Alguém narrando como Cristo, na sua paixão, olhava, ao mesmo tempo, o infinito além dele, e também para dentro dele... Um troço assim.
Provavelmente pelo fato da menina estar sendo castigada e, segundo a narradora, não demonstrar nenhum sentimento como dor, aflição, angústia.
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