Jane Eyre, pag 192

- (...) Tema o remorso quando for tentada a errar, srta. Eyre: o remorso é o veneno da vida.
- E dizem que o arrependimento é o antídoto, senhor.

(...)

- É possível: mas por que não deveria fazer isso. se posso conseguir prazeres doces e frescos? E posso consegui-los doces e frescos como o mel silvestre que a abelha colhe nos campos.
- A abelha vai picar, e o mel vai ficar amargo, senhor.
- Como pode saber? Você nunca experimentou. Como você parece séria, solene; e é tão ignorante no assunto como este camafeu - pegando o objeto do console da lareira - Você não tem o direito de me fazer sermões, sua neófita, que não passou do portal da vida, e desconhece absolutamente os seus mistérios.
- Só o faço lembrar de suas próprias palavras, senhor: disse que o erro traz o remorso, e afirmou que o remorso é o veneno da existência.
- E quem está falando em erro agora? Mal penso que a idéia que perpassou minha cabeça era um erro. Acredito que foi mais uma inspiração que uma tentação: era muito agradável e confortante, sei disso. Lá vem ela de novo! Não é um demônio, asseguro-lhe; ou se for é um demônio vestindo as roupas de um anjo de luz. Acho que devo admitir esse convidado tão belo que pede para entrar em meu coração.
- Não confie nele, senhor; não é um anjo verdadeiro.
- Mais uma vez, como você pode saber? Com que instinto você presume distinguir entre um serafim caído do abismo e um mensageiro do trono eterno, entre um guia e um sedutor?

(...)

- O senhor é humano e falível.
- Sou: você também, e dai?

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