Sem Ar











E, aos poucos, ela percebia que não estava mais tão forte. Antes, aquelas imagens dos fatos mais importantes de sua vida passando em sua mente como se fosse um filme faziam mais sentido.
- O que está acontecendo? - Ela questionou para si mesma, tentando não expressar, de forma alguma, que havia percebido a mudança repentina. Ela não tinha o hábito de questionar-se o por quê das coisas.
Sem nenhum movimento brusco, por medo dele perceber, conseguiu dar um breve suspiro. Era um alívio para quem havia passado minutos no desespero, tendo, cada vez mais, tentativas fracassadas de fuga - ela se debatia mas,quanto mais ela tentava, mais fraca e perto de cair desmaiada no chão imundo e meio úmido nos cantos daquele lugar, ela ficava. Percebeu, então, o cheiro - não que ela não havia respirado antes, ao chegar naquele salão vazio que tinha apenas o espaço da televisão sendo preenchido no chão.. É que agora, ela sentia prazer ao fazer isso. O cheiro, definitivamente, não era o mais agradável de todos mas, para ela, era tão satisfatório quanto o cheiro do bolo de cenoura com cobertura de chocolate de sua avó acabando de sair do forno.
Ele a fitava nos olhos. Com medo, ela desviou o olhar para as paredes brancas e sujas. Imaginou o que aquele lugar poderia ter sido antes de se transformar naquilo. Se deu conta que não lembrava mais como havia parado alí. Os minutos em que estava presa naquele lugar pareciam horas, se não semanas. Por quanto tempo estava alí? A última coisa que se lembrava de ter feito era um lanche na casa da avó com sua prima, na parte da tarde.
O sinal da televisão estava ruim mas o volume parecia estar no máximo - provavelmente para abafar e fazer com que ninguém ouvisse seus gritos desesperados de socorro. Quanto mais ela gritava, parecia que mais abafado o som ficava. Ouvia passos do lado de fora do salão. Imaginou, então, que aquilo poderia ter sido o estúdio de alguma banda frustrada, com paredes que abafam o som.
- Ele é esperto - Pensou.
Ela não conseguia ver seu rosto por causa da iluminação de merda que aquele lugar tinha. A única coisa que salvava era a iluminação da televisão que, por acaso, não adiantava nada. Por fim, ouviu-se um estouro e um clarão. Tentou ver o rosto dele - sabia que era homem por causa de sua força e espessura da mão - mas ela teve a sensação de estar cega depois daquela luz, não obtendo resultados positivos em sua tentativa. Quando a claridade acabou, levou com ela toda a luz que ainda restava do lugar, deixando-os completamente no breu. Ele não havia dito uma palavra, até agora:
- É isso.
Sua voz era grossa e tinha um tom de desespero, de pena. Sentiu que seus últimos momentos estavam chegando - voltara a não conseguir mais respirar. Seus olhos foram se fechando involuntariamente e os barulhos, que antes pareciam os mais altos e irritantes possíveis, foram ficando mais baixos. As imagens de sua vida voltaram a passar em sua mente.

Acordou. Estava deitada. Achou que estava dentro de um caixão - escuro e com falta de ar. Olhou, então, para o lado e viu uma luz. Esfregou os olhos na tentativa de poder enxergar melhor e descobriu que era apenas o despertador de seu quarto, marcando três horas da manhã. Todas as noites eram assim: esse mesmo sonho a assombrava fazia semanas. Sempre acordava na mesma hora e nunca conseguia passar dessa parte do pesadelo, sem saber quem era ele e o que acontecia depois.
Sem aguentar mais essa rotina desesperadora em que tinha medo de deitar-se e dormir, na noite seguinte, ela ligou para um de seus companheiros de faculdade. Conversaram durante horas sobre os mais variados assuntos. Ao desligar seu telefone, deu uma última olhada no despertador e viu que já havia passado a hora e estava quase amanhecendo. Deitou-se em seu travesseiro, fechou os olhos e dormiu. Fazia tempo que ela não dormia daquele jeito, sentindo, finalmente, que o pesadelo estava terminando e que, enfim, as coisas poderiam, talvez, voltariam ao normal, ao que era antes.

Dica.

Chega uma hora em que não se sabe mais o que fazer; o que dizer; para quem dizer; o que tentar. Para conseguir organizar as idéias, alguns de nós recorrem aos amigos. Essa concepção que as pessoas tem sobre o que é o certo e o errado é completamente variável. Não culpe, não julgue. Uma pessoa não está traindo a sua amizade por achar que o seu comportamento não está sendo um dos melhores e tentar lhe ajudar a mudar isso, para o seu próprio bem.

Post pequeno, sim. Mas eu só quero passar essa mensagem, mesmo.

Categories

Texto (18) Vídeo (5) The Oc (4) Quiz (1)